
Muito sono, lapsos de consciência dispersa que permitem ter uma percepção distante que existes, que estas a dormir... apagam-se... apagam-se... é esta a palavra; apagar - só há percepção que se apagaram porque acordas novamente - sem saberes onde estas, sem saberes o que se passou.
Os momentos de aparente racionalidade vão ficando maiores, permitindo articular pensamentos... as recordações voltam. Voltam vagarosamente, aleatoriamente, sem sentido ou forma, vão-se articulando, encaixando, acomodando numa espiral a que chamas Tu. Consciência. Percepção, no meio de muito sono, que estas no pós-operatório, a acordar de uma anestesia geral.
Mais tarde fica a ideia que morrer é “apagar”, literalmente apagar. Sabes isso só porque acordaste e existe um lapso em que não exististe.
Mais tarte fica a sensação que lembrar é o penoso processo de sermos nós; somos nós na diferente forma como lembramos, na forma e onde o que lembramos se encontra inscrito...
Lembraste de que dia é hoje?
1 comentário:
Há muito que ja nao lia nada assim,
gostei imenso. Tudo tao.. verdadeiro!
:)
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